Deus disse:
O teu coração por vezes é como um sapo. Salta para cima e para baixo. Às vezes o teu coração é como um cordeiro que quer ser acarinhado. Às vezes o teu coração é uma brasa, ardendo brilhantemente. Às vezes o teu coração, parece que ficou em cativeiro no coração de outro, em cativeiro por vontade própria que quer preencher o coração do outro com o seu próprio.
Este assunto de corações enche-te de alegria e então o teu coração magoa-se e salta para baixo como um sapo, esconde-se mau humorado debaixo de uma folha e não quer sair mais de lá.
A vida na Terra parece mesmo ser uma questão de corações.
Ouviste para não usares o teu coração na tua manga. Claro que é aí que estás a usá-lo. Caso contrário, tu dissimulas. Tu escondes. Tu mentes. Tu pesas o custo do teu coração ser conhecido. Preferias ser esperto a honesto. No mundo, realmente é preciso coragem para que o teu coração se revele. Isto não significa que tu transbordes e esperes retribuição. É apenas um facto da vida que amas. Claro, no mundo, amas às vezes aqui e outras ali e o teu próprio amor nem sempre é fiável. Como o sapo, pula para cima e para baixo e para trás e para a frente e por vezes perde-se num labirinto.
Porém, pensa num mundo em que todos são honestos. Toda a gente agradeceria toda a gente por um coração honesto que fala de amor quando o coração ama e não pretende amor sob qualquer circunstância. O coração humano não é para ficar envergonhado sobre amor. O amor é destinado a ser emitido a partir do teu coração. Deixa o teu amor voar alto como uma bandeira. Ama quando amas. Ama onde amas.
Não é suposto o teu coração se tornar num fardo, nem para ti nem para o outro. O teu amor é responsabilidade tua e de mais ninguém. Nem é suposto o amor ser uma troca. O amor é suposto apenas ser e não um bem imóvel. Oh, amar pelo próprio amor. Oh, amar sem exigir pagamento a ninguém. Oh, amar livremente, livremente dar e livremente receber sem condições à prior. Apenas amar. Deixa que o amor seja uma forma de viver.
Ama o condutor do autocarro. Ama a pessoa no autocarro que te empurra. Ama todas as pessoas que se sentam ou ficam de pé no autocarro. Ama os viajantes habituais. Ama as pessoas que caminham. Ama o tráfego. Ama o barulho e ama o silêncio. Ama-te sem enjoos. Amar é o que é suposto fazeres, não com metade do coração mas com todo o teu coração, não com esforço, não, não com esforço mas pelo prazer de amar.
Amar não significa amarrares o teu coração. Significa libertares o teu coração. Significa libertares o teu coração das amarras que lhe puseste. Tu proibiste o teu coração de amar demasiadas vezes. Moldares-te a outro não é amor mas moldares o teu amor é amor. Não é suposto o teu coração ser como uma cana de pesca que tem que apanhar um peixe. Oh, não, o teu amor deixa todos os peixes livres. O teu amor não lança redes. O teu amor lança amor.
Amor é como a luz solar que abençoa tudo o que toca. Que poderosa é a luz solar que pousa e deixa as suas bençãos. O sol nunca aprendeu a contar. O sol é livre. E tu és livre porque tu não te ligas a outro para retomar o teu amor como se fosse um favor. Claro, o teu amor é um favor e porém tu não ficas em dívida. Nem possuis. Tu não possuis o teu próprio amor e tu não possuis o de outro. O amor é livre e o amor liberta.